Na hora do aperto, até mesmo as crendices populares passam a valer a
pena. A vitória do Palmeiras desta teve direito a show particular de
Hernán Barcos e uma ajudinha extra de um banho de sal grosso dado pelo
assessor de imprensa do clube paulista antes da bola rolar. No mesmo gol
em que "macumba" foi feita, o Cruzeiro parou na trave no primeiro
tempo, mas o argentino fez os dois gols. Agora, ele chegou aos 25 na
temporada e fica a dois de bater a meta prometida assim que desembarcou
no Brasil.
A vitoria por 2 a 0 levou os palmeirenses aos 32 pontos, quatro a menos
que o Bahia, que ficou no 1 a 1 com o Corinthians. Já o Cruzeiro fica
com o sonho muito distante, estacionado nos 43 pontos e pode acabar a
rodada a 15 de entrar no grupo dos melhores do Brasileirão.
Agora, o Palmeiras tenta deixar o Brasileirão de lado por três dias.
Depois de curtir folga no domingo, a delegação treina na segunda-feira
para depois viajar à Colômbia. Em Bogotá, o desafio é válido pelo
segundo jogo das oitavas de final da Copa Sul-Americana diante do
Millonários. Pelo Brasileiro, a equipe volta a jogar no sábado, contra o
Internacional, no Beira-Rio. Já o Cruzeiro treina até quinta-feira,
quando enfrenta a Ponte Preta, em Campinas.
O jogo deste sábado começou equilibrado, com as duas equipes tentando
fazer infiltrações na intermediária. Foram assim que nasceram as
principais chances de gol durante todo o primeiro tempo. A única exceção
foi aos 15 minutos, quando Marcos Assunção bateu falta na entrada da
área que contou com o desvio de Barcos. Fábio segurou a bola em dois
tempos. Na resposta cruzeirense, Bruno fez ótima defesa aos 20 minutos
após passe de Souza para Anselmo Ramón. O atacante recebeu pela direita
da área, chutou cruzado e viu o goleiro palmeirense se esticar para
segurar a bola.
A melhor chance do jogo, no entanto, veio nos últimos 10 minutos, na
primeira tentativa do Cruzeiro de atacar pelo lado esquerdo. Martinuccio
cruzou, e Anselmo Ramón deu um carrinho para finalizar. A bola bateu no
pé da trave esquerda de Bruno, justamente no local em que a trave havia
recebido o banho de sal grosso, e foi para fora. Essa foi a gota d'água
para a impaciente torcida palmeirense, que já ensaiou coros de
"Obina".
No segundo tempo, Gilson Kleina não promoveu mudanças, mas deu dez
minutos para que elas acontecessem. Vendo o time com o mesmo problema de
criação, o treinador resolveu colocar Wesley no lugar de Betinho, que
brigava muito à frente, mas não ajudava muito para levar perigo ao
Cruzeiro. Roth respondeu também mexendo no meio e colocou Tinga no lugar
de William Magrão.
No primeiro lance em que efetivamente participou de jogo, Wesley foi
muito bem. Ele fez tabela com seu companheiro e chutou de chapa,
buscando o ângulo de Fábio, que fez boa defesa. Gilson Kleina, no
entanto, não se deu por satisfeito. O comandante promoveu outra mudança e
colocou Obina no lugar de Luan. A mudança aumentou o abafa e finalmente
fez o Palmeiras abrir o placar. Marcos Assunção cobrou falta sofrida
por Artur e Barcos subiu mais alto que a zaga cruzeirense. O argentino
testou firme para o fundo das redes de Fábio e foi instantaneamente
cercado por todos do time, inclusive Gilson Kleina e Narciso, que
invadiram o gramado para a comemoração.
O gol incendiou os quase 10 mil palmeirenses que estavam na Arena da
Fonte. Os gritos passaram a empurrar o time na hora do ataque e
reforçavam a marcação na hora da defesa.
UOL

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